O olhar/experiência da fotógrafa Mônica Costa, sobre as enchentes no nosso estado e a onda de solidariedade

O olhar/experiência da fotógrafa Mônica Costa, sobre as enchentes no nosso estado e a onda de solidariedade

No dia 19 de janeiro do novo ano de 2020, Belo Horizonte e várias cidades de Minas Gerais foram afetadas por chuva histórica que arrasou várias regiões. Casas, carros, pessoas e seus pertences muitos foram os atingidos, e vários perderam tudo o que construíram ao longo de toda a vida. Depois que a grande chuva passava aquela imensa mancha úmida e marrom deixava seu rastro de lama, sujeira e estragos por toda parte.As imagens que vimos desse e de outros dias que se sucederam em que as chuvas torrenciais insistiam em cair e faziam transbordar rios, desmanchavam estradas, pontes e acessos, e que faziam carros parecerem pequenos brinquedos, pois boiavam à deriva pelos rios que se formavam ao longo das ruas e avenidas onde estavam estacionados,  foram muito tocantes e serviram para nos ensinar que tudo começa com uma gota.  

Essa força da natureza também nos inspira a entender que tudo começa pequeno e, se somado a outros, é também capaz de transformar quase tudo à nossa volta. Uma pequena gota d’água quando encontra infinitas outras, ganha força, torna-se transformadora e é capaz de modificar ruas, casas, cidades, vidas.Com a mesma força e velocidade nossa população foi se associando rapidamente para auxiliar aos atingidos. As paróquias São Sebastião Betânia, Nossa Senhora de Fátima, Mãe dos Pobres receberam a Cruz Vermelha de Minas Gerais, que chegou imediatamente trazendo sua força, sua cor, sua gente e seus equipamentos para abrir frentes e romper barreiras, e nos ensinar como fazer de maneira rápida e eficiente o trabalho de auxílio e alcançar o maior número possível de atingidos, Vimos chegar quase que instantaneamente doações de diversos lugares, de tamanhos, quantidades e diferentes portes, vindos das mais diversas localidades, em proporções várias, e muito se arrecadou de itens de primeira necessidade e outros tantos que uma pessoa ou uma casa merecem e precisam ter.

Da mesma forma uma legião de voluntários de diferentes habilidades foram chegando e somando esforço para minimizar o sofrimento daquelas pessoas. Em cada missão de entrega de doações e auxílio aos desabrigados podia-se sentir o quanto somos todos capazes de transformar a vida do outro. Um olhar, um gesto, uma escuta, toda manifestação de afeto e de ajuda foi importante. Desses dias úmidos e cinzentos ficam várias lições: – a natureza precisa e merece ser respeitada; – lixo se joga no lixo; – todos somos vulneráveis; – o que te afeta, me afeta; – juntos, podemos transformar vidas; – o mais simples gesto de humanidade dá esperança a uma vítima; – a força do grande começa pequena- o planeta Terra é resposta do que fazemos a ele.
Mônica Costa – Fotógrafa