Liturgia Diária

LITURGIA DO DIA 04 DE MARÇO DE 2025

TERÇA-FEIRA DA 8ª SEMANA COMUM
(verde – ofício do dia)
Antífona da entrada
O Senhor tornou-se meu protetor e me conduziu para um lugar espaçoso; ele me salvou, porque me ama (Sl 17,19s).
Primeira Leitura: Eclesiástico 35,1-15
Leitura do livro do Eclesiástico – 1Aquele que guarda a lei faz muitas oferendas; 2aquele que cumpre os preceitos oferece um sacrifício salutar.[3] 4Aquele que mostra agradecimento oferece flor de farinha, e o que pratica a beneficência oferece um sacrifício de louvor. 5O que agrada ao Senhor é afastar-se do mal, e o que o aplaca é deixar a injustiça. 6Não te apresentes na presença de Deus de mãos vazias, 7porque tudo isso se faz em virtude do preceito. 😯 sacrifício do justo enriquece o altar, o seu perfume sobe ao Altíssimo. 9A oblação do justo é aceitável, e sua memória não cairá no esquecimento. 10Honra ao Senhor com coração generoso e não regateies as primícias que apresentares. 11Faze todas as tuas oferendas com semblante sereno, e com alegria consagra o teu dízimo. 12Dá a Deus segundo a doação que ele te fez, e com generosidade, conforme as tuas posses; 13porque ele é um Deus retribuidor e te recompensará sete vezes mais. 14Não tentes corrompê-lo com presentes: ele não os aceita; 15nem confies em sacrifício injusto, porque o Senhor é um juiz que não faz discriminação de pessoas. – Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial: 49(50)
Resposta: A todos os que procedem retamente / eu mostrarei a salvação que vem de Deus.
1. “Reuni à minha frente os meus eleitos, / que selaram a Aliança em sacrifícios!” / Testemunha o próprio céu seu julgamento, / porque Deus mesmo é juiz e vai julgar. – R.
2. “Escuta, ó meu povo, eu vou falar; † ouve, Israel, eu testemunho contra ti: / eu, o Senhor, somente eu, sou o teu Deus! / Eu não venho censurar teus sacrifícios, / pois sempre estão perante mim teus holocaustos. – R.
3. Imola a Deus um sacrifício de louvor / e cumpre os votos que fizeste ao Altíssimo. / Quem me oferece um sacrifício de louvor, / este, sim, é que me honra de verdade. / A todo homem que procede retamente / eu mostrarei a salvação que vem de Deus.” – R.
Aclamação ao Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, / pois revelaste os mistérios do teu Reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores! (Mt 11,25) – R.
Evangelho: Marcos 10,28-31
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 28começou Pedro a dizer a Jesus: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”. 29Respondeu Jesus: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, 30receberá cem vezes mais agora, durante esta vida – casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições -, e, no mundo futuro, a vida eterna. 31Muitos que agora são os primeiros serão os últimos. E muitos que agora são os últimos serão os primeiros”. – Palavra da salvação.
Liturgia comentada
Deixamos tudo… (Mc 10, 28-31)
Então, amigo Pedro, vocês deixaram tudo por Jesus… Tudo, mesmo? Ora, nós sabemos muito bem o que vocês deixaram… Uma barca velha, roída pelo tempo, cansada de vogar, não era? Umas redes podres, que vocês viviam remendando (cf. Mc 1,19). Um lago pobre, que só dava peixes quando o Mestre fazia milagres (cf. Lc 5,5-7; Mt 17,27; Jo 21,6-8). Grande coisa vocês deixaram!!!
Bem, não devo exagerar: reconheço que deixaram também o velho pai e por certo romperam com certas garantias. Havia uma sogra já adoentada. Levi-Mateus abandonou sua “produtiva” coletoria de impostos. Natanael acabara de se casar…Mesmo assim, que bela vantagem vocês levaram quando fizeram a escolha: entre Jesus e “tudo”, vocês não tinham mesmo que hesitar…
Você se lembra de Paulo de Tarso? Após conhecer Jesus na estrada de Damasco, também ele abriu mão de tudo para seguir o Mestre: pátria, raça, a Lei, a cidadania. Lembra suas palavras? “Todas essas coisas, que para mim eram ganhos, eu as considerei como esterco por causa de Cristo!” (Fl 3,7)
Desde esse dia, à margem do lago, vocês levaram vida de peregrinos, quase uns mendigos, palmilhando as estradas da Palestina poeirenta. Mas valeu a pena ser mendigo de coisas e ter o coração cheio de amor, não é?
Aliás, foi pensando nisso que escrevi meu soneto “O Mendigo Feliz”:
Nada tenho de meu. Nada de mim.
Meu derradeiro asse – meu seguro –
Caiu das minhas calças pelo furo
E do bolso rolou pelo jardim.
Assento-me no banco, entre o jasmim
E a roseira de hálito tão puro,
Que estende suas flores sobre o muro,
Sangrando no cimento o seu carmim…
Sou mendigo. Assento-me na praça
Para esperar – quem sabe? – o Amor que passa
E traz a esmola humilde que eu nem quis…
Apenas um mendigo sem um nome,
Mas se o Amor me vem matar a fome,
Posso morrer… Mendigo, mas feliz…
Orai sem cessar: “De todo o meu coração eu te procuro, Senhor!” (Sl 119,10)
Texto e poema de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.