LITURGIA DE 04 DE ABRIL DE 2020

LITURGIA DE 04 DE ABRIL DE 2020

LITURGIA DE 04 DE ABRIL DE 2020

SABADO DA V SEMANA DA QUARESMA
(Roxo, pref. paixãol – ofício do dia)

Antífona da entrada

– Ó Senhor, não fiques longe de mim! Ó minha força, correi em meu socorro! Sou um verme, e não um homem, opróbrio dos homens e rebotalho da plebe (Sl 21,20.7).

Oração do dia

– Ó Deus, vós sempre cuidais da salvação dos homens e, nesta Quaresma, nos alegrais com graças copiosas. Considerai com bondade aqueles que escolhestes, para que a vossa proteção paterna acompanhe os que se preparam para o batismo e guarde os que já foram batizados. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

1ª Leitura: Ez37,21-28

– Leitura da profecia de Ezequiel: 21Assim diz o Senhor Deus: “Eu mesmo vou tomar os israelitas do meio das nações para onde foram, vou recolhê-los de toda parte e reconduzi-los para a sua terra. 22Farei deles uma nação única no país, nos montes de Israel, e apenas um rei reinará sobre todos eles. Nunca mais formarão duas nações, nem tornarão a dividir-se em dois reinos. 23Não se mancharão mais com os seus ídolos e nunca mais cometerão infames abominações. Eu os libertarei de todo o pecado que cometeram em sua infidelidade, e os purificarei. Eles serão o meu povo e eu serei o seu Deus.
24Meu servo Davi reinará sobre eles, e haverá para todos eles um único pastor. Viverão segundo meus preceitos e guardarão minhas leis, pondo-as em prática. 25Habitarão no país que dei a meu servo Jacó, onde moraram vossos pais; ali habitarão para sempre, também eles, com seus filhos e netos, e o meu servo Davi será o seu príncipe para sempre. 26Farei com eles uma aliança de paz, será uma aliança eterna. Eu os estabelecerei e multiplicarei, e no meio deles porei meu santuário para sempre. 27Minha morada estará junto deles. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. 28Assim as nações saberão que eu, o Senhor, santifico Israel, por estar o meu santuário no meio deles para sempre”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

Salmo Responsorial: Sl (Jr) 31, 10.11-12ab.13 (R: 10d)

– O Senhor nos guardará qual pastor a seu rebanho.
R: O Senhor nos guardará qual pastor a seu rebanho.

– Ouvi, nações, a palavra do Senhor e anunciai-a nas ilhas mais distantes: “Quem dispersou Israel, vai congregá-lo, e o guardará qual pastor a seu rebanho!”
R: O Senhor nos guardará qual pastor a seu rebanho.

– Pois, na verdade, o Senhor remiu Jacó e o libertou do poder do prepotente. Voltarão para o monte de Sião, entre brados e cantos de alegria afluirão para as bênçãos do Senhor:
R: O Senhor nos guardará qual pastor a seu rebanho.

– Então a virgem dançará alegremente, também o jovem e o velho exultarão; mudarei em alegria o seu luto, serei consolo e conforto após a guerra.
R: O Senhor nos guardará qual pastor a seu rebanho.

Evangelho de Jesus Cristo, segundo João:Jo 11,45-56

Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai!
Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai!

– Lançai para bem longe toda a vossa iniqüidade! Criai em vós um novo espírito e um novo coração! (Ez 18,31)

Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai!

– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo João
– Glória a vós, Senhor!

– Naquele tempo, 45muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele. 46Alguns, porém, foram ter com os fariseus e contaram o que Jesus tinha feito. 47Então os sumos sacerdotes e os fariseus reuniram o Conselho e disseram: “Que faremos? Este homem realiza muitos sinais. 48Se deixamos que ele continue assim, todos vão acreditar nele, e virão os romanos e destruirão o nosso Lugar Santo e a nossa nação”. 49Um deles, chamado Caifás, sumo sacerdote em função naquele ano, disse: “Vós não entendeis nada. 50Não percebeis que é melhor um só homem morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?” 51Caifás não falou isso por si mesmo. Sendo sumo sacerdote em função naquele ano, profetizou que Jesus iria morrer pela nação. 52E não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos. 53A partir desse dia, as autoridades judaicas tomaram a decisão de matar Jesus. 54Por isso, Jesus não andava mais em público no meio dos judeus. Retirou-se para uma região perto do deserto, para a cidade chamada Efraim. Ali permaneceu com os seus discípulos. 55A Páscoa dos judeus estava próxima. Muita gente do campo tinha subido a Jerusalém para se purificar antes da Páscoa. 56Procuravam Jesus e, ao reunirem-se no Templo, comentavam entre si: “Que vos parece? Será que ele não vem para a festa?”

– Palavra da salvação.
– Glória a vós, Senhor!

Liturgia comentada

Decidiram matar Jesus… (Jo 11,45-56)

“Ela [a Luz] veio para o que era seu, mas os seus não a acolheram” – escreve João em seu Prólogo (Jo 1,11). A recusa do Messias enviado por Deus, o seu próprio Filho, permanece um drama difícil de compreender. A máxima generosidade encontra o máximo desprezo. Como pano de fundo, a palavra profética: “Que mais poderia eu ter feito?” (Is 5,4)

Jesus de Nazaré vem acampar entre os homens como manso cordeiro. Devolve a vista aos cegos e o movimento aos paralíticos. Alimenta os famintos e ressuscita os mortos. Revela a Deus como Pai e nos convida a viver como filhos. Nossa resposta? A cruz…

O monge André Scrima comenta: “A ressurreição de Lázaro vai agora precipitar a entrega de Jesus à morte: Jesus faz uma obra de vida e os escribas se tornam agentes da morte – a luta entre a vida e a morte encontra sua fonte em torno de Lázaro, em um terreno mais profundo do que o puramente histórico. Está em questão o destino da humanidade e da história por inteiro: nós nos aproximamos do fim dos tempos e o Evangelho está marcado por uma dinâmica e uma densidade únicas.”

Na verdade, alguns foram além de sua própria condição, diz Scrima, e entraram no desígnio paterno de Deus, crendo em Jesus (cf. Jo 11,45). Outros entenderam que Jesus tinha ido além das medidas, sendo a gota d’água a ressurreição de Lázaro, que acelerou a decisão dos judeus de se desembaraçarem do incômodo Messias.

No fundo, os homens do Templo e da Lei, que se acomodaram à dominação romana (e até lucram com ela!), temem uma reação das legiões romanas e uma revolta popular que iria interromper sua tranquilidade e… seus lucros (cf. 11,47-48).

Os interesses de Deus não são os seus interesses. E continua assim em nosso tempo, quando Júpiter e Mamon – a política e o capital – veem a Boa Nova como uma intolerável ameaça, decididos a arrancar a cruz das paredes e o sangue dos corpos. Aquele que se recusa a dar a César o que é de Deus jamais será aceito pela sociedade pagã. E os poderosos insistem em trocar por moeda de metal os valores eternos.

André Scrima observa: “O que acontece em torno de Lázaro é mais que uma confrontação histórica; é um confronto em nível de eternidade. Se a ressurreição de Lázaro glorificou a Deus, aqueles que amam a glória deste mundo executam o trabalho da morte, mesmo quando imaginam servir à nação.”

Aqui e ali, os homens do Templo se aliaram ao panteão dos pagãos e degeneraram. Mas o cristão deve aderir a Cristo, mesmo que sua paga seja uma participação na cruz…

Orai sem cessar: “Se morremos, é para Cristo que morremos…” (Rm 14,8)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.
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