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Discurso de D. Orani Tempesta ao encerrar JMJ

Não nos desesperamos se as coisas não ocorrem como imaginamos
Discurso de D. Orani Tempesta ao encerrar a XXVIII Jornada Mundial da Juventude
Apresentamos o discurso de D. Orani Tempesta ao encerrar a XXVIII Jornada Mundial da Juventude.
Santo Padre, 
Ao encerrar a XXVIII Jornada Mundial da Juventude, a Igreja, através de sua oração envia-nos a todos para “fazer discípulos entre todas as nações”. Esta não é uma celebração de despedida, mas de partida para a missão, portanto, uma celebração de envio. Somos discípulos missionários e queremos anunciar a Boa Noticia da salvação a todos os povos. 
Agradeço a solicitude de Vossa Santidade em todos os momentos da semana que passou. Ficará gravada para sempre a presença do Pai e Pastor junto à juventude do mundo, e o seu primeiro retorno à América Latina como primeiro Papa latino-americano da história. Vossa santidade nos confirmou à luz da fé em nossa caminhada de Igreja. A atualização do documento de Aparecida para o Brasil para nós Bispos, o “documento do Rio de Janeiro” será uma direção apontada pelo sucessor de Pedro. A entrega dessa viagem aos pés da Virgem Aparecida, local da celebração da V Conferência do Episcopado Latino Americano e Caribenho que tanto permaneceu no coração de Vossa Santidade, o acolhimento dos jovens, dos pobres, dos doentes e a preocupação com todo o povo de Deus em sua caminhada histórica convidou-nos à grande missão contemporânea. O diálogo com as autoridades e com todas as situações sociais representadas neste universo de quase 180 nações aqui presentes foi uma demonstração concreta do afeto divino. 
A Jornada Mundial da Juventude é a Nova Evangelização em prática! Queremos que os frutos desses dias auxiliem a formar uma Igreja cada vez mais presente entre os pobres, doentes, necessitados, e que os jovens –, protagonistas de um mundo novo –, junto com toda a sociedade sejam construtores da Civilização do Amor sonhada por Jesus. Bendigo a Deus pelo Beato Papa João Paulo II que criou as JMJs, pelo Papa Bento que nos escolheu como sede, e a Vossa Santidade que veio presidir e viver conosco esses dias. 
O Brasil viveu uma grande missão com a peregrinação dos símbolos da Jornada. Também muitos jovens, Santo Padre, fizeram uma Semana Missionária antes de chegarem ao Rio de Janeiro. Sabemos que tal experiência enriqueceu a vida de cada jovem e de cada diocese brasileira visitada. Outros ainda farão encontros, visitas e missões após a Jornada. Agora somos convidados e enviados em missão a partir desta Celebração Eucarística. Temos certeza de que os peregrinos que para cá vieram foram confirmados e aprofundaram sua fé no encontro com Jesus Cristo, e retornam empenhados a serem evangelizadores de outros jovens e da sociedade. 
No final do Concílio Vaticano II, que estamos comemorando os 50 anos, os padres conciliares escreveram uma mensagem a todos os jovens, conclamando-os a receber a tocha da vida das gerações anteriores e a contribuir para a construção do futuro com base na dignidade, na liberdade e no direito das pessoas. Hoje, Vossa Santidade entrega novamente nas mãos destes jovens a tocha da evangelização para “fazer discípulos entre todas as nações” nesse mundo tão desigual e complexo. Temos certeza de que o Espírito Santo iluminará e cuidará de cada jovem que aqui está aberto à graça de Deus. 
Papa Francisco, neste Ano da Fé quisemos que o espaço de envio se chamasse Campus Fidei, Campo da fé. A escolha do local, que queríamos que fosse a Missa de Envio, fez os olhos do mundo se voltarem para essa região do Rio de Janeiro, e fez com que todos conhecessem as necessidades do povo, e também ajudou os responsáveis a se empenharem numa solução para as várias situações de necessidade. Porém, como Vossa Santidade mesmo disse ontem, esse campo somos nós. Deus nos fala também pelos acontecimentos. E realmente o Senhor nos deu muitas ocasiões para que a fé crescesse. Deu-nos a certeza de que é Ele quem nos conduz em nossa vida e nos dá a direção. Nós fazemos os planos e sonhamos. Porém, não nos desesperamos se as coisas não ocorrem como imaginamos. O Senhor nos coloca na realidade de cada dia 
e faz com que Ele apareça em sua providência. Essa linguagem aparenta meio estranha para a nossa sociedade, mas nós nos colocamos dentro dessa perspectiva: o Senhor conduz a história! Cabe a nós encontrar os significados. Este local é hoje um “grande cenáculo”, onde os discípulos ceiam, recebem o Espírito Santo e são enviados. Vossa Santidade nos convida, neste Ano da Fé, a permanecermos firmes à luz da fé, pois “se tirarmos a fé em Deus das nossas cidades, enfraquecer-se-á a confiança entre nós, apenas o medo nos manterá unidos, e a estabilidade ficará ameaçada” (LF 55), pois “graças à fé, compreendemos a dignidade única de cada pessoa” (LF 54). 
Frio e chuva nos acompanharam ao longo dos primeiros dias da JMJ. Foi uma surpresa para essa cidade conhecida pelo sol e pelo calor. Porém, eu aprendi que essa chuva mansa é a chamada “criadeira”, pois faz brotar a semente lançada na terra. Depois vem o sol, que continua a missão de fazer crescer. Assim também esta JMJ: no início a chuva e o frio, demonstrando que nesse mundo que muitas vezes parece frio, a chuva faz com que brote a semente do Evangelho. Agora, como acontece agora, com a luz e o calor do sol, temos certeza de que esses brotos crescerão e as pessoas iluminadas pelo Cristo, luz do mundo, sairão por todos os cantos do planeta contagiando a todos com o calor da Boa Notícia: Deus ama a todos e nos quer seus filhos! No campo da fé as sementes foram lançadas, e regadas e sob a luz do sol elas brotam e crescem e darão seus frutos no seu devido tempo. 
O símbolo desta Jornada é um coração, dentro do qual se encontra a imagem do Cristo Redentor. O coração do discípulo que bate no compasso do Mestre. No centro de cada coração reina o Redentor, que sempre está de braços abertos para nos acolher. Obrigado, Papa Francisco, por ser os braços e o coração de Cristo durante esses dias. A passagem de Vossa Santidade pelas ruas dessa cidade acenando e abençoando a todos foi um anúncio de Paz! A figura do homem de batina branca acolhendo e abraçando a todos, doando-se a cada um é uma visão que conservaremos nessa cidade, e que nos convidará a sermos ainda mais empenhados na construção da paz. 
Já estamos com saudades dos momentos passados entre nós, confirmando-nos na fé. Sentimos que segunda-feira irá faltar alguém muito importante e próximo de nós! Alguém que nos fez muito felizes e se aproximou de cada um com suas palavras e seus gestos. Mas Vossa Santidade nos anunciou Jesus Cristo. Ele permanece conosco e nos faz unidos, mesmo de longe. Agora é necessário que partamos com a missão de anunciar e reanunciar a pessoa e a mensagem de Jesus Cristo, para 
que, por Ele fascinados, os jovens O testemunhem e anunciem, atuando, lá onde estiverem, como sal, luz e fermento do Reino de Deus. Como os apóstolos em torno a Pedro que avisou que ia pescar (Jo 21, 3), Santo Padre, também nós dizemos: “Nós também vamos contigo”. Iremos contigo às ruas, às periferias, ao excluídos! Nós encontramos o Senhor no caminho ao partir o pão e ao escutar a Sua Palavra (Lc 24, 32), e aqueceu o nosso coração. Experimentamos o chamado do Senhor, “vinde, meus amigos!” Agora chegou o momento de dizer, Papa Francisco: Envia-nos! A JMJ nos pede: “sejam missionários!” E nós, com certeza, Santo Padre, iremos responder: “Eis-nos aqui, envia-nos” (cfr Is 6,8.)